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quarta-feira, 17 de março de 2010

Elegia do burguês

A burguesia é boa
Dá empregos para os negros
Geralmente paga em dia
Concede folgas
E respeita os direitos do trabalhador

O burguês é bom
Falo por que sei
Só cresci por um

A burguesia não fede
Fede quem cospe no prato que come

Sou burguês
Tenho alguns milhões
Mas não deixo de engajar meu filho

Tenho uma ONG
E banco vários plays
Quando falam mal de mim
Revelam o mau de vocês

Foi burguês que escreveu O Capital
O burguês é freguês dos animaus
Alvos de benevolentes 10%
Que pagam seu uno, corno

O burguês é tudo de bom
Dá o pão e se passa a vara
Paga a pensão

O burguês é cristão
Movimenta com a honra a nação

O burguês não trai
Mas se o faz
Não deixa saber

O burguês tem crédito na praça
Não tem seu nome no SPC por uma cama

O burguês é boa praça
Mesmo que não pareça sobre a carcaça

O burguês não delira
Se delira não é mais

O burguês ouve jazz
Só aí sustenta muitos afro-americanos

O burguês não tem o pau grande
Mas tem um bom fundo

O burguês tem todos os dentes, são 32.

O coração do burguês bate mais forte
Ao ver os mulatos asfaltando a estrada
Sendo bons mulatos
Garantindo seu PLR

Se o olho do burguês é vazado
Por causa do tiro de um favelado
O burguês não o culpa
Investe em pesquisa genética

O burguês compreende minha métrica
Baseada somente em estética
Por que o burguês é belo
E se não é, faz plástica

Os burgueses são vocês
Basta descobrirem o lado bom
Metonímia de burguês

Um cu calado é um poeta


Meu cu não me remete nada
Se o Arnaldo dá-o e peida
Que se foda
Também posso

Começando a trilogia do cu
Três estudos, três lógicas
um mesmo rabo

Coitado do meu cuzinho
Está tão banalizado
Não há outra coisa de que se fale

Meu cu só me suja
Jogando fora o que não presta
-Olha que tem quem coma

Meu cu tá tão velhinho
Sofreu tanta tração
Que já não está mais apertado

Meu cu no seu facho
Seria bom, eu acho
Mas não quero testar

Meu cu se apavora
Ás vezes chora
Lágrimas de sangue

Meu cu já sabe o rito
Todo dia quando acordo
É esse o horário

Meu cu medido
Em repouso não dá a medida
De quando em trabalho

Meu cu é sem graça
Me sinto tanto quanto ele
Quando o convoco
Pra mandar uma gracinha

Meu cu é uma desgraça
Não cagar seria uma graça
Por Deus concedida
No inferno é que se paga

Meu cu é meeiro
Não dá nada de graça
Nem por bom pagamento, no caso

Meu cu é uma pena
É cheio de pêlos do lado
Ás vezes raspo
Mas dá maior medo de rasgá-lo

Meu cu é de um redondo quadrado
Quando tem um pinto dentro
Limpo ou cagado
Está sendo comido

Meu cu nunca teve um dono viado
Mil perdões se estou sendo homofóbico
Meu dedão se não estou sendo sincero

Meu cu nunca esteve tão independente
Basta eu espirrar
E já fico melado
E me lembro
De quando
Não precisava de um cu
Pra ser engraçado
Um cu não é engraçado
Woody Allen é dos bons
Mas não é engraçado
Então fico com meu cu
Mas não pode ser lado a lado?

Foder-te-ia


Já aprendi que foder não te ofende
Nem eu ser fodido
Pois te amo e tomo no brioco
Há muito que perdi o brio

Já entendi que pra fuder-te
É preciso estar fudido
Pois saiba que te amo
Não tomo no brioco
Mas sempre foi fudido

Compreendi, te foder-te
Só se for só
Deixei a poeira subir
Já não sinto tanto

É foda
Só me fodo com outras
Com você talvez dê certo
Vou te convencer, esteja certa

É tolice, eu sei
Mas eu estou com ira!
Pra onde minha raiva for

Vou te foder com carinho
Baixinho
No escurinho
E será recíproco

Fuder não te ofende
Mas se eu me foder por isto
Eu tenho chance?

Minha chance é um passat
Você é o scort que eu vou montar
Nem que precise de um bom montante
Nem que precise te enfiar um scotch
Precise precisar o que precise

Você verá que não é sempre assim
Me foder ao te tentar
Dessa vez vai dar
Você vai me dar seus pais em paz e no seu país

Maria ave, ouve-me
O vime recrudesce
Porém persisto

Tô quase ovino
Me saiu pela boca um ovo
Não sei o quê é isso
Estou fudido?

Abre alas pra minha bandeira
Flor de Lins vem me ver
Meu território está marcado
Quem pisar tá lascado

Abre alas pra minha folia
Estou deitado na cama
O terreno é fértil
Cansado de damas
Se deita grandes dramas

Tô só e ovino
Tem mais um ovo saindo
E a sujeita não cala
Nem se sujeita

Não é possível tão óbvia como ela
Suas fases redundam
Seu olhar revela
Quero mais é que se foda
Eu e ela, com ela, sem mais.

*

Dedicado ao Edgard e ao Ivan.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Um conto anal


Cu todo mundo tem
Homem, mulher
Vão todos se fuder
Cada um ao outro
Pode crer

Quero saber
Por que gosto
de falar cu
Que gosto tem?
Cedo azedo
Suado de tarde
Isso todo mundo sabe
Mas não é o de todos que arde
O meu ardia
Até o dia que descobri que tinha AIDS
Daí não coçou mais
Só de noite. Bem tarde.

AIDS não dá no cu
Mas se pega dando
Noutro dia me peguei dando
Sabe como é
Foi o outro e ainda não era dia
Só eu que dei
Mas nesse dia pegamos ambos
Não sei como
Não sei de genética
Me disseram que foram os fluidos
(será que tem acento?)

A AIDS é um mal que assola a humanidade
Foi um deles que tirou minha virgindade
Era um Deus com AIDS
Caiu do céu infectado
Coloquei seu pau em quarentena
Pra fazer uns experimentos em seu rabo
Vê se tirava o vírus inoculado
Se estava no cu eu iria tirá-lo
Os experimentos não deram certo
Meu registro foi cassado
Mas para o anjo era tarde
Um Deus sem cu
Para um viado é o diabo
Assim que ele ficou
Eu fiquei atormentado

Não satisfeito
Na China fui bancado
Meus estudos continuaram
Fui titulado pós-graduado
Produzi um soro sagrado
Hoje posso dizer que estou curado
Agora só dou pra consolo
E com condom bem colocado.

Essa é minha história
Registre-se nos anais
Encontrei a cura, que para todo o sempre
eu seja louvado.

domingo, 14 de março de 2010

A bossa dos boçais

João Gilberto é o bossal
Stalin é boçal
Tom Jobim é bossal
Bush Jr. é boçal
Vinícius é bossal
Lula é boçal
Carlinhos Lira é bossal
Maluf é boçal
Nara é bossal
Ná Ozzeti um tanto
Netinho é boçal
(não como Pimenta e Castilho)
Ronaldo e Silvinha são bossais
O outro Ronaldo é boçal
Donato tem o tato de bossal
Mussolini todo o mundo sabe
Menescal é bossal
Roberto é amante
Caetano é pela-bossa
Caymmi é pré-bossal
O neanderthal é pré-boçal
E eu, que danço à beça,
Só lambo os beiços

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Meu coração


Meu coração bate
Como não sei como
Eu o chuto
Num pontapé - Ouça "Xutos e Pontapés"

Meu coração pede
Não sei o quê
O atendo
Não sei por quê

Meu coração veve
Dizendo que chego
Pra mim basto
Como eu vejo

Meu coração recorre
E eu apelo
Entorno o pêlo
E aperto

Meu coração nem sabe
Eu guardei
Ele perdeu a dele
Queria saber onde

Meu coração virado
Corado
Me coroou
Seu rei

Meu coração sem direção
Apartado na caixa
Vai ser doado
Já castrado

Meu coração não me pertence
Mas está em meu domínio
Insolente permanece
Sem sentir

Meu coração quer parar
Descansa pra depois voltar
Às vezes bate mais forte
Outras com dor

Meu coração, mal acostumado
Permanece rifado
Mas quem dá o lance
É que é levado

Meu coração não quer calar
Mas já está
Rodou
Afundou do outro lado

Perdão, coração
Você, massa amorfa
Crua e oca
Meu consanguíneo
Bate por mim
E eu só te digo
Obrigado, irmão

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Não tô

Suavemente pra poder rasgar
Tô te chamando pra te embebedar
Te agradecendo pra poder te esculachar
Te enganando pra não mais te envenenar
Te construindo pra poder inaugurar
Te beijando pra poder te trair
Em ti trepando pra poder escarnecer
Ensimesmando pra poder te responder
Enciumando pra poder te proteger
Envaidecendo pra poder reconquistar
O teu amor que jurei nunca perder
Entristecendo pra poder te alegrar
Enraivecendo pra poder te ignorar
Embrutecendo pra poder te admirar
Enfurecendo pra poder bem te amar
Encarecendo pra você não me pagar
Escurecendo pra você não me gostar
Enriquecendo pra um barraco te comprar
Emburrecendo pra mais desses eu te dar
Eu vou aqui sofrendo pra você gozar

Inspirado em "Tô"(Tom Zé)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A poesia é sagrada mas eu sou pagão


A poesia não é livre
-A poesia é sapeca
Poesia quer rima
-Roga por métrica

Poesia é presa fácil dos estetas
Mas não pode Chico ser poeta
Se Clarice não o era

Poesia não é moral
Pode te ferir na jugular
Te virar do avesso

Poesia não pode ser desenhada
Não pode ser transcrita
Para outra plataforma
-Não cuspa na poesia

Poesia não é desfrutável
-Não pense em fodê-la
Não é amigável
-Não tente entendê-la
Não é sociável
-Tem alto grau de autismo

Poesia não é representável
-Isto é crime inafiançável
Poemas não são frutas
Poetas não são árvores
Antologias não são pastos

Poesias não têm parentes
-Nascem transplantadas
Um poema é, de longe,
A maior Arte
Um mandamento
É não tentar alcançá-lo

São diamantes lapidados
-Sem valor de mercado
Flores secas com cheiro de molhado
Poesias são poeiras de estrelas
São totens para os amados

Remédios caros
Cadarços de lã
Pullovers de lycra
Sapatos de chuva
Fortalezas de recifes de coral

Poesias são o natal
O reveillon e a ceia
Podem ser fatais
Deixando alguém viver
Podem ovular
E ejacular sem nem saber

Poema é engenharia sem fundação
Arquitetura desprovida de medidas
É ponte pênsil
Edifício sem pé-direito

Não dói parir um poema
Pois eles gestam para sempre.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Rima pobre, prosa rica

Acordei cedo como há muito*Não fazia
Li o jornal e desci **********A escadaria
Corri a mão***************Ávida
Na televisão***************Da visão da minha tia
Havia sangue**************De balas desde a sesmaria
Flores********************Daquelas que nunca se via
Corações partidos**********Saindo paridos de gritos
Uns abraços***************Contidos
Casais********************Mas alarmados
Choro********************Era um ranger dentes
Danação(falavam lá)*******Se é que foi acidente
Vídeos ******************Não havia tradução infiel
Fraques*****************Um tudo muito bonito
E Ordinários*************Para contemplar

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Rima pobre, prosa rica

Navaro tentric
Gosme fronrec
Trepida a fronte
Reprenda a fonte
Rerepete
Caguete
Baguete
Repete
Caguete
Baguete
Gelit
Calherda
Frindoso
Romo
Orumo
Queutomo
Tenrabe
Vede isto
Cisto bistrô
Emchisto
Conchisto
Nata tu mismo
Mesopotâmia
Há ti contíguo
Eu frade
Tuirma
Eu nunco
Tumanca
Eu ropo
Tutancamon
Eu mouco
Tu trampa
Eu genia
Tu gemia
Meu parco inglês
Sufita si porquí je t'aime
Ma no lo minte enda
Hai de simplezar
Czar logoxe
Laguxa tresborda
Barca funda
Espreito de touto
Se evola
Se eu me enrola
Conrola meu caro
Teu me rola
Meu consorte contrista
Se tu me és fola
Fado te canto
De fado me eicho
De fado me tomo
Fado é bom
Me deixa tonto
Totoro de pulp
Cria
Não sai da cabeça
Não há rumo às idéias
Guarda-las-ei onde
Só me vem as más
As boas se escondem
Nos erros gramaticais
Ortogonais
Lexicais
Tóxicos
Se entornam
Sossobram as más
Sossobram as más
Guarda laico da porteira
Acode alma derivada
Sossegado leito
Conserva-se por respeito
Aos peitos, as armas
Aos seios, as bocas
Aos freios, há porra
Aos pretos, masmorra
Aos brancos, que sequem
Aos flancos, pingentes
Aos trancos, de assalto
Aos poetas, os trancos
Cada um com seu tomo
Em fila indiana
Paraíso que espera
Que esperança
Que estamos
Espera que vem
O fraque que arde
A voz descompassa
A tez exaltada
Cova embargada
Rasante melro
Anunciará
O fim que se afasta
A luz que cintila
Cintilará
Não cessará
Sempre estará
Sarará
Samba crioulo
Que é o que te resta
Se a resma dos teus meses
Não te agrada
Afaga-te
Na puta moça
Que espera-te
Espero-me de ti
Que não há mais o que dizer
De tanto que te fiz
Minha ira se aplaca
Se a placa
Ali na entrada
Diz que é o céu
Vede que não tema
Entra e te lambuza

Rima pobre, prosa rica


Será que ai quem win?
Eu go get fé
Se on dei eu lembrar
Que u saberia me dizer
Não vou a ninguém mais asqueroso

Eu só não te quil
Por que você reve sorte
Eu tava sem gan
E meu love me chamava

Mas hoje rani
Eu ainda não forgueti
E não vou te fri
Por tão leiz

Vou aplacar meu instinto de mader
E te empurrar na uáter de vez
Sem molhar meu suéter

Estávamos todos au
Uát que custava
Nau meu bem
Você se foqui
Se sobre live

Não esqueça das minhas uordis
Sairá cara se o meique
Vou te botar num greive
Depois de passar num draive
E curtir uma reive
E nesse tempo você estará podre

Você não poderia me fazer mais rep
Nisso eu bilive
E você bem nou por que
Não preciso nem ispique
E nem vou