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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Os Tropicalistas abandonaram o Tom

Para os que acompanham o blog(who?): por sugestão do google não
devo repetir títulos mas esse entraria no isso, é, uma, inverdade.

Tropicalismo ou tropicália, todo mundo sabe o que foi ou pelo
menos acha que sabe. Dizem alguns que houve, no seio do
movimento, pintores e poetas mas a vera é que tradicionalmente
só se fala do tropicalismo como movimento musical.

Os tropicalistas eram Gilberto Gil, Gal Costa, Tom Zé, um outro
bahiano aí e mais alguns agregados(valorosos). Os tropicalistas
preconizavam a mistura de diversas artes e origens se utilizando
do rock e dos ritmos nordestinos numa ruptura ensaiada com a
a bossa para no minuto seguinte enamorar-se novamente.

Isso tudo não passa de uma grande mentira quando se trata de
Tom Zé. Gil e aquele outro baiano sempre foram antenados e
receptivos às novidades. Tom, bem, mal sabia quem eram os
Beatles em 1968 e tampouco fazia questão de saber. Tom não
estudou nas mesmas escolas que os dois, Tom era(e é) o
sertanejo, sempre muito mais alinhado a Elomar que a The Doors.

Gil e o outro bahiano, talvez não conscientemente, se utilizaram da
tropicália(gerada por eles, é justo dizer) para se transformarem em
estrelas pop, falem o que quiserem mas foi o que aconteceu,
pegaram a poesia de Torquato Neto, de Capinam, dos irmãos
Campos e de Pignatari, a filosofia de botequim, a sociologia de
araque, o candomblé e o misticismo adjacente e colocaram a
serviço do pop. A serviço de se tornarem pop. Eles são pop,
goste-se ou não; ser pop não significa, somente, vender tantos
discos quanto os finados Sandy e Jr.; ser pop não significa,
simplesmente, emular Kraftwerk, ABBA ou Bee Gees como
alguns pensam.

E Tom Zé nunca foi pop. Tom Zé nunca foi urbano. Tom Zé buscou
o sertanejo que havia no erudito. Ou o inventou. Ou o sugou de sei
lá quem. Tom Zé não foi traído. Tom Zé não foi extirpado. Tom Zé
não foi esquecido. Tom Zé botou um cu(ou fez que botou) numa
capa. Tom Zé rasgou a foto do papa, ops, aí foi a Sinead O'Connor.
Tom Zé nunca foi um tropicalista de direito portanto nunca foi
abandonado.

Não tô

Suavemente pra poder rasgar
Tô te chamando pra te embebedar
Te agradecendo pra poder te esculachar
Te enganando pra não mais te envenenar
Te construindo pra poder inaugurar
Te beijando pra poder te trair
Em ti trepando pra poder escarnecer
Ensimesmando pra poder te responder
Enciumando pra poder te proteger
Envaidecendo pra poder reconquistar
O teu amor que jurei nunca perder
Entristecendo pra poder te alegrar
Enraivecendo pra poder te ignorar
Embrutecendo pra poder te admirar
Enfurecendo pra poder bem te amar
Encarecendo pra você não me pagar
Escurecendo pra você não me gostar
Enriquecendo pra um barraco te comprar
Emburrecendo pra mais desses eu te dar
Eu vou aqui sofrendo pra você gozar

Inspirado em "Tô"(Tom Zé)