sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Do caderninho ao selim com vigor


Quando tinha cinco anos e cheguei no Brasil tudo o que eu
queria era ser o caderno da menininha, poder acompanhá-la
por todos os cantos, ficar do seu ladinho e dormir no
seu quarto. Depois cresci e passei a querer mais, quis ser o
selim e quis ficar molhado.

Houve um tempo,
quando eu era menino,
Que pra poder ficar juntinho de você
Eu queria ser o seu caderninho

Mas o tempo passou
E não queria mais só ficar juntinho
Queria ser o banquinho da bicicleta
Pra sentir seu ânus suar

Pra ficar bem perto da vagina
Queria ser sua calcinha

...

....

...morder o seu grelinho, gozar na sua garganta...
....
....
....
....

...O meu gozo vai
A tardinha cai
O meu gozo vem
Te trazer um neném
...

...Ó, dá-me tu, com vigor...
...
..
.

Adaptado de "O caderninho"(Olmir Stocker),
"Selim"(Cristiano Telles, Raimundos), "Vai Serginho!"(Mc Serginho)
e "O barquinho"(Bôscoli/Menescal)

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

A poesia é sagrada mas eu sou pagão


A poesia não é livre
-A poesia é sapeca
Poesia quer rima
-Roga por métrica

Poesia é presa fácil dos estetas
Mas não pode Chico ser poeta
Se Clarice não o era

Poesia não é moral
Pode te ferir na jugular
Te virar do avesso

Poesia não pode ser desenhada
Não pode ser transcrita
Para outra plataforma
-Não cuspa na poesia

Poesia não é desfrutável
-Não pense em fodê-la
Não é amigável
-Não tente entendê-la
Não é sociável
-Tem alto grau de autismo

Poesia não é representável
-Isto é crime inafiançável
Poemas não são frutas
Poetas não são árvores
Antologias não são pastos

Poesias não têm parentes
-Nascem transplantadas
Um poema é, de longe,
A maior Arte
Um mandamento
É não tentar alcançá-lo

São diamantes lapidados
-Sem valor de mercado
Flores secas com cheiro de molhado
Poesias são poeiras de estrelas
São totens para os amados

Remédios caros
Cadarços de lã
Pullovers de lycra
Sapatos de chuva
Fortalezas de recifes de coral

Poesias são o natal
O reveillon e a ceia
Podem ser fatais
Deixando alguém viver
Podem ovular
E ejacular sem nem saber

Poema é engenharia sem fundação
Arquitetura desprovida de medidas
É ponte pênsil
Edifício sem pé-direito

Não dói parir um poema
Pois eles gestam para sempre.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

O sucesso de house é um mistério


House é um daqueles produtos que têm tanta qualidade que
é difícil explicar a sua enorme aceitação popular. É muito
cômodo aceitar a teoria de que tudo o que é popular não
presta e tentar a todo custo encaixar as exceções na teoria.
Assim podemos explicar o sucesso da segunda fase dos
Beatles a partir da "pobreza" da primeira fase, explicamos
a popularidade de Billie Holiday a partir de um contexto
histórico ou podemos explicar a fama de "The Godfather"
por sua violência.

Não podemos(ou estou sozinho nessa?) aceitar que um
sujeito adepto do idioma miguxês, por exemplo, consegue
enxergar as qualidades inerentes a um produto(pois se
se vende é um produto) do quilate de House ou dos citados
anteriormente. Queríamos mesmo que fosse só nosso e de
mais ninguém pois o povo pode até gostar mas não é capaz
de apreciar como se deve algo que exija um alto nível
intelectual para a sua geração.

A melhor explicação, na minha opinião, é que uma obra
popular de qualidade é feita de camadas; tem a camada
superficial que todos vão entender e a muitos vai agradar
e outras camadas que servirão para os interessados em algo
mais que mero entretenimento. É libertador mas também
não é uma verdade absoluta. Taí CSI pra provar o contrário.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Asfixiação erótica


Asfixiação erótica é a prática de se enforcar enquanto
se masturba para aumentar o prazer. A primeira vez que
vi algo relativo a essa prática foi num episódio da
série americana "Six Feet Under" que no prólogo sempre
mostrava uma morte e na segunda temporada teve uma
personagem que morreu assim. Encontrei na Bíblia que o
primeiro caso documentado ocorreu no século XVIII.

É por essas e outras que em relação a sexo não há
mais nada para inventar, só reciclamos as práticas.
Há séculos fazemos todo tipo de sacanagem mas até
hoje não aceitamos socialmente os bacanais do
Calígula nem a homossexualidade de Alexandre, o Grande.

A água bate há séculos mas essa rocha ninguém fura.

Beyoncé e as castas hereditárias - Parte I


Tendo em vista o novo buzz em torno da
cantora Beyoncé devido a sua consagração
na cerimônia do Grammy, trago a vocês um
artigo sobre como se deu a sua ascensão
através de seus antepassados.

Os Panteras Negras estavam cansados de trabalhar
nas minas do meio-oeste mas alguns anos depois
teriam motivos para agradecer o tempo sofrido.
As batidas das picaretas que lhes foram dadas foram as
bases para o reflorescimento da intuição rítmica latente
que estava alojada em seus genes mas que não encontrava
meios de expressão no vale modorrento.

O vento constante faria soar notas se pudesse
chacoalhar as folhas que as árvores não tinham.
As picaretas é que cortavam o vento e soavam
notas nas rochas e se cantava a "Elegia do moribundo".
Quase posso ouvir os passos e os grãos de poeira
esfumaçando na minha frente.

A alienação não durou como o esperado e a guerrilha
avançou e pôs-se fora dos campos que muito barrentos
seriam se lhes fosse mandada alguma chuva...

*
Como o tempo está muito bom, vou treinar para
a meia-maratona que vou fazer em Abril.
A segunda parte fica para algum
outro momento.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Quem eu fui um dia nº4


Júnior
O que faço: Comentarista
O que fazia: Jogador de futebol de grama e de areia

"Eu batia um bolão na grama, cansei e fui bater na areia"
"Eu batia um bolão na areia, cansei e virei comentarista"

O blowjob da Tess


Estamos no ano de 1960 e o ator Klaus Kinski não está
satisfeito com o caminho que sua carreira segue.
Achando que não estava tendo seu talento suficientemente
reconhecido pelos alemães, parte para uma temporada em
Viena e lá conhece Werner Herzog, o diretor que o transformaria
não em um astro popular, como ele queria, mas em um ator
reconhecido no mundo do cinema e relativamente famoso.

Mas a fama cobraria um preço: no curto período que viveu
em Viena nasceu sua filha, que cresceria sem a presença
do pai, mais preocupado com sua carreira que com a prole.

Nastassja cresceu e, para desgosto do pai, resolve tornar-se
atriz mas haja vista a contrariedade de Klaus prefere começar
a carreira sem assumir a identidade, pedindo uma chance por
seus atributos e não por seus laços familiares.

Nastassja consegue alguns papéis por seus atributos mas não
os atributos que ela desejava mostrar e, não vendo outra
alternativa, aceita o papel de protagonista em "Deep Throat VII"
mas posteriormente desiste em virtude do surgimento de
Roman Polansky oferecendo-lhe uma personagem que poderia
dar uma guinada em sua carreira.

Admirado com a beleza da jovem, Polansky convida a moça para
um teste em sua casa de modo que pudesse ter certeza que
ela era a pessoa certa para estrelar "Tess".

Nastassja chega na casa de Polansky que a chama para o quarto.
A atriz nota um volume estranho nas calças do diretor que notando
a tez da moça pergunta a idade dela e como ela responde que aca-
bara de fazer dezoito, Polansky estranhamente se irrita e pede que
ela volte no dia seguinte para vê-la caracterizada.

E assim surge Nastassja Kinski. Sem precisar engolir gala.
Por pouco.

*

Se procura o suposto bola-gato da @twittess, recomendo procurar na casa do carvalho.